segunda-feira, 21 de junho de 2010

Carta ao meu amor...

Será que ela sabe que quando você goza é comigo que você está?

Que os beijos foram pra mim e cada gota de suor?

Será que sabe que nos seus silêncios é comigo que você conversa e na hora dos seus mistérios, estamos de mãos dadas lembrando do passado e sonhando pro futuro?

Que sou eu a Dulcinéia que te acompanha nas lutas quixotexcas contra os moinhos de vento de suas fantasias, ela sabe?

E sabe que você é um caipira turrão que mente a idade e é pão duro de doer? Não bobo, isso ela não sabe porque você não entrega o ouro tão cedo, aliás, melhor contar que você não entrega nunca.

E você sabe que eu nem consigo deitar com outro, porque meu corpo grita NÃO, e me chama de prostituta?

Tem um buraco que fica entre os dois peitos, parece uma moleira, mas chamam de plexo solar. Pois por ali me entra cada coisa. Outro dia entrou o mar inteiro, subiu até a garganta, apertou tudo, e está lá - não quer sair.

Vou te mandar um pouco. Cabe aí, ou você continua empanturrado pela terra toda que engoliu pra não morrer de fome da falta de mim?

Até quando será, vida minha, que o destino espera a gente se cansar de andar em círculos? Será que ele vai ter uma paciência infinita com essa mania da gente se amar de longe? Ou um dia ele nos puxa pelas orelhas, bota os dois juntos e diz "Acabou o Tom e Jerry, estão perdendo muito mais do que jamais vão encontrar. Um olhando pro outro, já! Viram?" E tocados pela varinha do cosmos nós saberemos que era ali que sempre quisemos estar. Você fará um abrigo pro nosso amor, tô até vendo, ficou bonito, você sempre teve bom gosto.

Eu te puxo pra rede, faço um cafuné sem fim e conto estórias pra gente dormir. Ai que bom... Já pensou o cansaço que vai bater quando finalmente a gente parar com isso?

Ah, você contou pra ela que pensa em mim todos os dias, e que há dias em que pensa sem parar? Perturba não é? A gente não consegue fazer as coisas, tocar o barco. Nem fingir direito que gosta de outro dá. Eu também acordo todos os dias tomada por você. E ando acordando de madrugada. Você parece que pula em cima de mim, eu dou aquele salto e pronto, é risada, conversa fiada, lágrimas, de um tudo, mas nada de dormir de novo. Você não deixa. Depois passo o dia bocejando e não tem como explicar, vou dizer o quê? Passei a noite com meu amor que não estava comigo porque... Porque?

Outro dia eu acordei querendo morrer de saudade. Tinha palpitações, era grave, liguei pro médico. "Doutor, estou sofrendo de amor, não paro de chorar, meu coração vai sair pela moleira do peito, e hoje não é um bom dia pr'eu morrer. Tenho oito cenas pra gravar doutor, um artigo pra escrever, minha filha chega de viagem e eu vou buscar no aeroporto, socorro, preciso de uma pílula poderosa! Ele me conhece bem, fez a receita na hora. Vou te passar porque num momento de apuro, evita uma ida ao médico. Anota aí: Inderal para as palpitações, Buspar pra dor de amor, e Sonata pra... Puxa, como gostei desse nome, lembra mamãe tocando Chopin ao piano - tão romântico. Onde eu estava? Ah sim, Sonata pra insônia, porque desculpe mas eu tive que contar pra ele que você não me deixa dormir. Ele falou pr'eu te mandar embora. Mas eu já fiz isso, nós sabemos quantas vezes não é? E você não vai. Quando vai, não sai de dentro de mim do mesmo jeito, entranhou, é praga da vida. Ai que praga boa... Boa nada, imagine eu, naturalista, tendo que me entupir de comprimidos, francamente!

Sabe o que o Tururu pequeno falou? Minha filha te adora, sempre gostou desde neném, você sabe. Mas outro dia me vendo tão triste ela perguntou, "Mamãe porque você fica com quem te faz sofrer assim?" E eu, "Porque acho que no amor a gente tem que fazer tudo, tudo que puder pra dar certo"

Passaram-se meses.

"Você fez tudo o que podia?"
"Acho que agora sim"

"Então presta atenção, da próxima vez que ele cruzar a sua mente, você pensa, "que bom que eu me livrei desse cara!'"

 Não sei onde ela arrumou essa vivência - aos doze anos puxa! Mas é que ela não agüenta me ver sofrer por tanta contradição. Podia ser simples. Romeu e Julieta andaram pras barreiras familiares, o príncipe largou seu reino pela Wally e até o João aqui da minha esquina dorme na calçada agarrado com sua Maria.

Minha filha tem razão, podia ser bem mais simples. Mas aí..., pra quem eu ia escrever esta carta?

sexta-feira, 18 de junho de 2010

O último capítulo...

Eu tentei tantas coisas, fiz planos, construí sonhos e trilhei por muitos caminhos.
Não pedi pra Deus, com medo que ele me ouvisse.
Eu só esqueci de tentar...
Ah! isso era tão fora de cogitação, simplesmente porque não inspirava, não criava expectativas, nem borboletas no estômago.
A possibilidade de sofrimento era muito maior.
E eu tinha tanto medo de recomeçar. Sempre tive...

Rasguei as fotos, mas as mantive no meu pen drive.
Usei todo o perfume, mas guardei o frasco, porque ele beijou antes de me dar.
Apaguei os vídeos... mas antes postei no Youtube
Rasguei as cartas e bilhetes, mas antes scaneei todas e mantive numa pasta oculta do meu micro.
Joguei fora os presentes, mas guardei todos os embrulhos e os cartões.

De certa maneira eu nunca quis deixá-lo partir. Só que eu ainda não tinha percebido que ele talvez nunca estivesse aqui.
É que nunca houve despedida.
Nunca acertamos nossas contas, nunca devolvemos nossos pertences (esquecidos propositalmente, para sempre haver um reencontro), nunca demos adeus ou sequer aquele abraço com o olhar de “nunca mais”.
A gente sabe, tem certeza que haverá mais.
Porque é uma questão de pele.

E mesmo que houvesse, mesmo se a gente quisesse... o que nessa vida é definitivo, se não a morte?

Nunca haverá certeza do fim.
Nunca haverá certeza.
Nunca haverá,
nunca...

Não vou dizer que é chegada a hora, afinal dentro de mim tenho sentimentos, que dada a proporção, é um tanto difícil trancá-los num lugar inacessível no meu coração.

Decidi reescrever o último capítulo dessa história... comecei com algumas atitudes:
Tirei as fotos da minha mesa no trabalho, apaguei as mensagens e as últimas ligações.
Dei aquele filme de presente e aquela linda blusinha. Há de servir para alguem.
Nunca mais acessei aquele blog, nem li poemas e cartas de amor.
Deletei todas as fotos e vídeos.
E tirei do carro alguns CDs.


Vai lá querida! continue a sua “vidinha”... Aliás... pensando bem... continue a sua VIDA.
Não vou mais julgar... não me importo mais.
Não me assusta mais a sua conveniência, sua conivência, seu cinismo, sua frieza e falta de amor próprio.
O que você passou, e ainda vai passar... nem quero saber! Não vou torcer por nada.
Acabou! É insignificante pra mim.
Agora você pode rir da minha cara, dizer que venceu e que não me deu o gostinho.
Isso para mim será libertador e a última página dessa história de adultério, orgulho ferido, falta de amor próprio, e... nem sei mais o quê.
Há uma imensa possibilidade de você passar por isso de novo, se frustrar e lembrar de mim!
E quanto a mim, essa possibilidade só vai existir se me fazer abrir o saco de lixo (com o cheiro, o gosto, delícias, lembranças e restos) que acabei de me livrar.

É... finalmente pude fazer a escolha que não foi possível lá no início.

E não é porque desisti. É que de tanto correr atrás da felicidade, não percebi que ela existe em tantos e pequenos momentos... estes que deixei de enxergar por só ter olhos para ele...

quarta-feira, 16 de junho de 2010

O tal dia dos namorados...


Sim, como a maioria das mulheres solteiras, esse tal dia dos namorados me causou impaciência e certa inveja das amigas que tiveram um cobertor de orelha nesse friozinho. E a troca de presentes? Ah!

Sei que é apenas um dia “comercial”, e que toda a demonstração de amor, carinho, etc e tal tem que ser todos os dias...
Mas também sei que já que NINGUÉM “atua” desta maneira, foi reservado um dia especial para o tal espetáculo e seus atores.

Pois bem...
Lendo um Blog muito bom! (confira!!!), confirmei o que há tanto tempo suspeitava: boa parte desses namoros “perfeitinhos” que se vê por aí é uma grande fachada.

Sim... é uma questão de opinião.
Putz, quanta decepção...
Por um lado, é claro.
Afinal, estou solteira.
Rs

Aproveitem este blog que eu recomendo, e leiam o "tal texto" que me causou decepção.

Trecho...

“Bom, não encarem esse post como um consolo para as leitoras encalhadas (brincadeira). Só quero deixar claro que muitos dos casaizinhos bonitinhos que a gente vê na tv no dia dos namorados ou andando pela rua de mãos dada em um dia qualquer, nada tem de bonitinho. A essência muitas vezes é bem podre...”

* Foto extraida do proprio blog citado acima.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Prisioneiro de uma FALSA liberdade...


Eu quis tanto te fazer bem.
Quis te salvar daquilo que fizeram você acreditar que era o melhor e mais saudável. Que aquele era o único caminho que ia te fazer feliz.

Mas esqueci você passou tanto tempo escutando aquela mentira, que não havia possibilidades. Pra você, não havia outra verdade.
E mesmo que existisse... você não queria acreditar que poderiam ter mentido pra você. Logo, duvidou de mim.

Então eu vivi todos esses ANOS tentando estar perto de você para que você percebesse quanta coisa tem o mundão aí fora. Quanta beleza... mesmo quando erramos, caímos e nos machucamos. E que a beleza do aprendizado é a mais encantadora, mesmo que às vezes dolorida.

Você parecia aquele garoto criado em apartamento pela avó, que não sai nunca para brincar com os amigos. Que conhece o sol apenas através da cortina.

Quando te peguei pelas mãos e te levei para ver o mundo lindo que existia depois da sua janela, você abriu um lindo sorriso, brincou, se sujou, fez amigos, e foi feliz. Assim como uma criança. Se lambuzou, errou, caiu, se machucou... e viveu! Ah a felicidade era tão nítida naquele brilho dos seus olhos.

Você fugiu comigo alguns fins de semana, algumas noites, algumas manhãs, algumas tardes...

Mas você teve medo. Medo de gostar tanto dessa vida boa que “gente normal” leva, e magoar a sua vovó.
E correu de volta para debaixo de sua saia. E a Vovó, de tão velha, achou um absurdo você sair se divertir sem que ela estivesse com você. Como se você não pudesse ser feliz sem ela. Achou um absurdo você mentir para não magoá-la. E te fez acreditar que esse era o seu pior pecado.

Ela não entendeu que aquilo não tinha nada a ver com ela. Que o fato não era para magoá-la. Era pra você ser feliz.

Você não podia viver somente para atender às suas expectativas.
O fato de ela ter cuidado de você desde a infância, não fazia de você um prisioneiro de suas vontades e costumes.
E ainda assim ela acreditava que te dava liberdade... desde que junto dela.

Hum... lembro bem quando você confessou que não ia embora porque não queria vê-la sofrer. Ela que havia feito tanto por você...
Ainda mais que tudo o que você tinha estava relacionado a ela... que ela havia te ajudado desde que você deixou a casa da sua mãe...
Todos os seus amigos, eram amigos dela. Toda sua família, era a família dela.
E que você a amava por isso.
Mas que você queria muito experimentar ser livre.

E que essa liberdade você tinha quando fugia comigo pela janela...
E ela colocou a culpa em mim por ter ficado brava com seus sumiços... E fingiu não perceber que você voltava pra casa muito mais contente...

...

Quando nos despedimos, e eu vi você voltar para sua prisão, eu temi que você jamais crescesse e não tivesse coragem de assumir as rédeas da sua vida.
Chorei de saudade. Saudade de tudo que ainda não tínhamos vivido...
Mesmo com a sua promessa de que assim que sua avó falecesse, e você sentisse que tinha cumprido sua missão, nós conheceríamos juntos todas as possibilidades de ser feliz que a vida nos dá. Mesmo com o seu pedido fervoroso para que eu o esperasse.

E pra quem você mentiu? Pra mim ou pra vovó?
Só saberemos se quando ela falecer, eu ainda estiver te esperando.

Parei e pensei: muita pretensão sua achar que eu ainda estaria aqui...