quarta-feira, 25 de abril de 2012

O amor é punk!

Eu já passei da idade de ter um tipo físico de homem ideal para eu me relacionar. Antes, só se fosse estranho (bem estranho). Tivesse um figurino perturbado. Gostasse de rock mais que tudo. Tivesse no mínimo um piercing (e uma tatuagem gigante). Soubesse tocar algum instrumento. E usasse All Star. Uma coisa meio Dave Grohl. Hoje em dia eu continuo insistindo no quesito All Star e rock´n roll, mas confesso que muita coisa mudou. É, pessoal, não tem jeito. Relacionamento a gente constrói. Dia após dia. Dosando paciência, silêncios e longas conversas. Engraçado que quando a gente pára de acreditar em “amor da vida”, um amor pra vida da gente aparece. Sem o glamour da alma gêmea. Sem as promessas de ser pra sempre. Sem borboletas no estômago. Sem noites de insônia. É uma coisa simples do tipo: você conhece o cara. Começa, aos poucos, a admirá-lo. A achá-lo foda. E, quando vê, você tá fazendo coraçãozinho com a mão igual uma pangaré. (E escrevendo textos no blog para que ele entenda uma coisa: dessa vez, meu caro, é diferente). Adeus expectativas irreais, adeus sonhos de adolescente. Ele vai esquecer todo mês o aniversário de namoro, mas vai se lembrar sempre que você gosta do seu pão-de-sal bem branco (e com muito queijo). Ele não vai fazer declarações românticas e jantares à luz de vela, mas vai saber que você está de TPM no primeiro “Oi”, te perdoando docemente de qualquer frase dita com mais rispidez. Ah, gente, sei lá. Descobri que gosto mesmo é do tal amor. DA PAIXÃO, NÃO. Depois de anos escrevendo sobre querer alguém que me tire o chão, que me roube o ar, venho humildemente me retificar. EU QUERO ALGUÉM QUE DIVIDA O CHÃO COMIGO. QUERO ALGUÉM QUE ME TRAGA FÔLEGO. Entenderam? Quero dormir abraçada sem susto. Quero acordar e ver que (aconteça o que acontecer), tudo vai estar em seu lugar. Sem ansiedades. Sem montanhas-russas. Antes eu achava que, se não tivesse paixão, eu iria parar de escrever, minha inspiração iria acabar e meus futuros livros iriam pra seção B da auto-ajuda, com um monte de margaridinhas na capa. Mas, caramba! Descobri que não é nada disso. Não existe nada mais contestador do que amar uma pessoa só. Amar é ser rebelde. É atravessar o escuro. É, no meu caso, mudar o conceito de tudo o que já pensei que pudesse ser amor. Não, antes era paixão. Antes era imaturidade. Antes era uma procura por mim mesma que não tinha acontecido. Sei que já falei muito sobre amor, acho que é o grande tema da vida da gente. Mas amor não é só poesia e refrão. Amor é reconstrução.É ritmo. Pausas. Desafinos. E desafios. Demorei anos pra concordar com meu querido Cazuza: “eu quero um amor tranqüilo, com sabor de fruta mordida”. Antes, ao ouvir essa música, eu sempre pensava (e não dizia): porra, que tédio! Ah, Cazuza! Ele sempre soube. Paixão é para os fracos. Mas amar - ah, o amor! - AMAR É PUNK.
(Fernanda Mello)

domingo, 1 de abril de 2012

Recuar

E desde que passou a ser uma questão de honra mostrar e provar quem ela era, e quem ela não era, vem se perdendo nas entradas e nas saídas...

E por conta disso, permanece.

Sim! ciente dos seus excessos, mas não abre mão de ser exatamente quem é. Com todos os defeitos, qualidades, ímpetos e inquietudes.

Pode permitir assustar, perder, decepcionar...

E apesar de nunca se sufocar, sabe exatamente a hora de recuar...

domingo, 8 de janeiro de 2012

Reinventar


Me senti perdida, inicialmente...
Mas depois percebi que então eu tinha me encontrado.
Eu sabia exatamente o que eu queria, e principalmente o que eu não queria.

Aquela angústia que eu nunca soube dar nome, hoje só me faz lembrar o quanto é bom estar aliviada...
É como um corte, que deixa a cicatriz, mas vc tem a vaga lembrança da dor...

O medo... nunca entendi o medo que sentida de algo que eu nem conhecia.
Ficar sozinha, por nunca ter ficado, me assombrava...

Hoje entao decidi deixar acontecer, pra ver no que dá.
Dizem que o que vc mais teme só deixa de existir quando vc enfrenta...

E a certeza que Deus está comigo, me fez enxergar que nunca estarei sozinha.

Não quero mais lágrimas no travesseiro, nem tomar pílulas e pílulas pra dormir... pro tempo passar.
Quero cantar enquanto dirijo, enfeitar o meu mural com fotos e lembranças boas...
Não quero mais imaginar como poderia ter sido diferente
Quero fazer diferente...

Sabe aquela vontade repentina de mudar tudo de lugar, de trocar todas as cores, deixar bem colorido, alegre...
Comprar roupas, sapatos e bijouterias novas...
Traçar metas, fazer planos, desenhar os sonhos...
Ler aquele livro, estudar aquela matéria...
Enxugar aqueles quilinhos...
Conhecer gente nova, estreitar os laços com os amigos mais queridos e verdadeiros...

Ah... começar uma nova vida aos 27 anos!!!
Engraçado... porém com mais maturidade, mais experiências e aprendizados!
Afinal, pra algo os erros tem que servir!

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Flores

Passei muito dos poucos anos que tenho me dedicando a pessoas que não se dedicavam a mim, e apesar dos tantos exemplos e conhecimento das experiências dos outros, precisei realmente sofrer com isso pra perceber que não vale a pena.

Causa um sentimento de incapacidade plantar uma semente sadia, esperando belos frutos… e colher frutos podres, ou até belos por fora, mas completamente perdidos por dentro.
Sofri porque fiz a minha parte, mas não dependia de mim…

E esse vazio… ele consegue preencher cada vão dos meus pensamentos, entre estudo e trabalho… isso quando não ocupa completamente me fazendo inútil…

Esse vazio tem feito companhia para a solidão que tenho vivido… e era multidão com você ao meu lado… plateia perfeita.
Mas quando as cortinas se abriram o show não era engraçado, era um drama, um verdadeiro drama sem final feliz.
Daqueles que a gente quando começa assistir, já sabe o contexto do final: cada um pra um lado… um sofrendo, o outro sorrindo.
E quando você não se agradou, não tinha mais ninguém aplaudindo.

Me falaram sobre ciclos que precisam ser fechados…
Eu sabia, mas queria acrescentar tantas coisas nele, e depois encerrar fases e começar outras, sem necessariamente ter que ter um final… ainda mais um que não era feliz.

Hoje, depois de algum tempo, consigo escrever e enxergar que aquela fruta podre que nasceu, era o mal atingindo o fruto, e não a terra.
Enfim, a terra poderá então semear novas sementes…. Quero flores desta vez. 
Nascem, crescem, morrem… mas embelezam durante a estadia!