segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Cura


E tem horas que dá um ataque de “Chega! Acabou! Não quero mais!”... porque se eu não me amar em primeiro lugar, e provar isso no momento em ignoro você e todas as lembranças, eu não vou nunca mais amar ninguém.
É que são tantas feridas abertas, expostas... ardendo, queimando, latejando...
Sangrando ainda... sangue fresco.

Reverter isso, acabar com isso logo é meu maior desejo, meu desespero.
Mesmo que me custe ocupar todo o meu tempo com trabalho, com programas que nem de longe me agradam mais...
Mas nada de ficar velando essas feridas... de ficar olhando o sangue escorrer e lamentar.

Mas tem horas que me dá ataque de “porque??? Não poderia??? E se...”
Questionamentos acerca de algo que talvez eu nem queria... eu queria que a vida moldasse, que se ajeitasse no modo que me faz feliz.
Não teria como dar certo... não teria como ser diferente.
Foi exatamente como deveria ser, porque não somos, não fomos personagens. Fomos nós mesmos.
E lamentavelmente você é sim esse cara que gira a faca dentro do meu peito...

e não vou mais lamentar.
Vou me curar.
E me curar é o resultado por viver longe de você.

sábado, 2 de julho de 2011


... e a menos que eu tenha coragem sufisciente para dar fim a minha própria vida, eu vou ter que continuar. Nem que seja pela complexa curiosidade de ver como isso vai terminar.

Demasiadamente cansada para dar explicações acerca do meus olhos inchados, da minha mão trêmula e dos quase dois maços de cigarro que fumo por dia.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Ciúme não é ex.

Sobras de minha existência pela casa, escondidas para não irritar a nova mocinha. Meu pijama sufocado num canto da gaveta para que nenhuma lembrança respire. Meus chinelos abduzidos no meio da "sapataiada", tão pequenos que quase inexistem ou poderiam passar tranqüilamente por pares de criança. Fotos, milhares delas, guardadas sem carinho, uma preguiça triste de arrumá-las em álbuns. Estão lá, paralisadas em momentos felizes, tradutoras de uma vida que quase foi, trancadas porque o que quase foi não pode atrapalhar o que ainda pode ser. Talvez um fio de cabelo, o último deles, esteja nesse momento sendo varrido e levado pelo vento forte e solitário que não deixa dúvidas que o inverno chegou. Inverno que era sempre comemorado porque eu sabia que ele não sentiria tanto calor para dormir e eu poderia ser abraçada de conchinha o tanto que desejasse. Agora é outra que suspira protegida olhando o quadro do Monet e ri apaixonada de algum provável barulho que ele faça com seu nariz estranho, jurando na manhã seguinte que não ronca. Saudade não é ex, tampouco amor. Mas a vida da qual abrimos mão por um sonho (ou por um erro) é passado. E de escolhas e de perdas é feita a nossa história. Não há nada que se possa fazer a não ser carregar por um tempo um peso sufocante de impotência: eu escolhi que aquele fosse o último abraço. Agora é outra que se perde em ombros tão largos, tomara que ela não se perca tanto ao ponto de um dia não enxergar o quanto aquele abraço é o lado bom da vida. Da vida que te desemprega mesmo depois de tantas noites em claro e de tantos beirutes indigestos. Da vida que te abre uma porta que você jura ser a certa mas quando resolve entrar descobre duas crianças brincando na sala e uma mulher esperando no quarto. Da vida que te confunde tanto que você quer se afastar de tudo para entendê-la de fora. Da vida que te humilha tanto que você quer se ajoelhar numa igreja. Da vida que te emociona tanto que você não quer pensar. Da vida que te dá um tapa na cara pra você acordar e não tem ninguém pra cuidar do machucado e dizer que vai ficar tudo bem. Da vida que te engana. Aquele abraço era o lado bom da vida, mas para valorizá-lo eu precisava viver. E que irônico: pra viver eu precisava perdê-lo. Se fosse uma comédia-romântica-americana, a gente se encontraria daqui a um tempo e eu diria a ele, que mesmo depois de ter conhecido homens que não gritavam quando eu acendia a luz do quarto, não faziam uso de um cigarro que me irritava profundamente e sobretudo minha rinite alérgica, não amavam os amigos acima de, não espirravam de uma maneira a deixar um fio de meleca pendurado no nariz, não usavam cueca rosa, não cantavam tão mal e tampouco cismavam de imitar o Led Zeppelin, não tinham a mania de aumentar o rádio quando eu estava falando, não tiravam sarro do bairro em que nasci, não insistiam em classificar minhas mãos e pés como seres de outro planeta, não ligavam se eu confundisse italiano com espanhol e argentino, nomes de capitais, movimentos artísticos, datas de revoluções e nomes de queijo, era ele que eu amava, era ele que eu queria. E ele me diria que, mesmo depois de ter conhecido mulheres que conheciam a Europa e não entupiam o ralo com cabelos, mulheres que tinham nascido em bairros nobres e charmosos de São Paulo, ou melhor, do Rio de Janeiro, mulheres que arrumavam a cama e não demoravam tanto para sentir prazer, não entravam de sapato no carpete, não tinham uma blusa ridícula com uma rajada de dourado, não eram dentuças e tampouco testudas, não cantavam tão mal, não tinham medo de cachorros pequenos, não reclamavam do ar-condicionado e nem tinham medo de perder a mãe ou comer uma comida muito temperada, era eu que ele amava, era eu que ele queria. Mas a realidade é que não gostamos desses tipos de filme fraco com final feliz, gostamos dos europeus "cult" onde na maioria das vezes as pessoas sofrem e perdem, assim como aconteceu com a gente.

(Tati Bernardi)

domingo, 12 de junho de 2011

Sobre tantas coisas, num só dia

É... acabou mesmo.
Não porque não nos falamos, não porque não respondi aos seus ímpetos de enganos.
Dessa vez eu não quis ir além de mim. Dessa vez eu não procurei não ficar mal. Resolvi passar por esta fase assim como tem que ser: com dor, com lágrimas, com falta.
Mas ao retornar, me senti tão acolhida... Surpresa com a surpresa de encontrar aqueles que me importo.
Foi estonteante e gratificante saber que alguém também se importa, que alguém me quer bem... e antes de mais nada esse passou a ser o meu objetivo: eu me quero bem, eu quero me acolher... não há amor maior que o amor próprio... e hoje pude resgatar tudo aquilo que você matou em mim: minha alegria, meu sorriso mais espontâneo, meus ombros e colos...

Eu quis sim te fazer feliz, te coloquei tanto em primeiro lugar, e esqueci de mim. E você também esqueceu... ou não, sei lá... esse é você: no seu mundinho onde só há você, com seus seguidores e com seus falsos e pagos amores... eu fui de verdade pra você, então você não se acostumou, rejeitou e preferiu viver na mesmisse.
Acho que te causei medo.

Amor, eu sei, não é uma questão de escolha...